Especial chuvas no nordeste do Brasil - Parte II (Alagoas)

Patrimônio Histórico e Cultural de Alagoas

Em Alagoas, existem até o momento 9 patrimônios tombados pelo IPHAN - a maioria concentrada na cidade de Penedo na divisa do Estado de Sergipe e a 157 km da capital alagoana.

Centro Histórico de Penedo

Com uma população de aproximadamente 50mil habitantes e localiza-se no extremo sul de Alagoas as margens do Rio São Francisco, a cidade de Penedo é uma das mais bonitas e antigas cidades históricas brasileiras e impressiona seus visitantes pelo seu rico patrimônio histórico-cultural. Suas igrejas, conventos e palacetes do século XVII  e XVIII proporcionam uma verdadeira viagem ao passado do Brasil Colonial.


Erguendo-se imponente sobre um rochedo às margens do rio São Francisco, a cidade de Penedo é um relicário vivo, que conserva um patrimônio artístico-cultural de grande valor, tendo sido palco de acontecimentos importantes do Brasil Colonial. As marcas dos colonizadores portugueses, holandeses, franceses e dos missionários franciscanos, podem ser constatadas na arquitetura barroca de conventos e igrejas.

Convento e Igreja de Santa Maria dos Anjos

A Igreja levou 99 anos para ser construída e tem pintura no teto de Libório Lázaro Lial Alves. Em qualquer ponto da igreja, quando se olha para a pintura os olhares de Maria e dos anjos acompanham. A igreja, de 1669, é um exemplo do estilo barroco e está integrada com o convento e o Museu de São Francisco, onde existem móveis da época. O altar-mor foi pintado com ouro em pó misturado com clara de ovo e óleo de baleia. Um amplo pátio abre caminho para as salas onde estão peças sacras antigas e outros objetos interessantes e curiosos como o ferro de fazer hóstia e a imagem de São Francisco tocando violino. No lugar pode-se saber da história da ordem franciscana de 1659 a 1759.

Igreja de Nossa Senhora da Corrente

Ela fica às margens do Rio São Francisco. O nome do templo ainda hoje é motivo de controvérsia entre estudiosos. Uns associam ao sobrenome de uma de suas benfeitoras, Ana Felícia da Corrente, enquanto outros ligam o nome de Nossa Senhora à correnteza do rio. Certo é que a devoção à Nossa Senhora da Corrente não é conhecida na iconografia católica.

A igreja mistura magnitude e simplicidade. No altar a imagem de Nossa Senhora da qual foram roubadas há cerca de 15 anos a coroa e a corrente de ouro. Durante a celebração de casamentos, os noivos eram envolvidos pela corrente para simbolizar a felicidade conjugal. É toda construída em madeira. Um painel com azulejo português chama a atençao do visitante para uma das paredes da igreja. Os pisos são ingleses importados pela família Lemos, de origem portuguesa.

A fachada é barroca e o frontão é da "escola pernambucana", com três janelas e uma porta. A nave é decorada de azulejos portugueses com motivos marianos e piso de mosaico inglês. No forro, pintura ilusionista do Sagrado Coração de Jesus. A construção começou em 1720 como capela privativa da família Lemos. No movimento abolicionista, os escravos usaram a igreja como refúgio - à esquerda do altar, veja a passagem secreta onde eles ficavam até receber uma carta de alforria falsificada e, assim, fugir para Palmares.

Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos

A fachada é ornada de decorações esculpidas em pedra calcária da região. Existe, nesta Igreja, um conjunto de imagens representando os passos, como também a imagem mais antiga da cidade denominada Ecce Homo. 
A capela primitiva foi construída pelos ermitões e, a atual começou a ser construída em 1758 quando a irmandade foi organizada. Como consta no pódio, a pedra fundamental foi lançada em dezembro de 1759. A fachada e o interior têm excelente trabalho de cantaria. 

As torres foram alteradas no Século XIX e comprometeram o equilíbrio original do monumento, os retábulos neoclássicos têm talha semelhante aos de Salvador, o lavabo da sacristia, de pedra calcárea, tem desenho rococó e carrancas são usadas nos pedestais das ombreiras da porta principal como nos retábulos protobarrocos espanhóis.
O frontispício é trabalhado em pedra com motivos barrocos, os cortes de pequena profundidade lembram a ourivesaria. O altar-mor é em estilo barroco, lateralmente ao arco-cruzeiro, os dois altares de canto são em estilo neoclássico e os quatro altares colaterais são semelhantes à talha neoclássica de Salvador.

Casa natal de Marechal Deodoro da Fonseca

Antiga capital do estado de Alagoas, Marechal Deodoro reúne um conjunto colonial formado igrejas, sobrados e coloridas casas do século XVIII. O acervo arquitetônico coroou a cidade com o título de Patrimônio Histórico Nacional em 2006, o que vem garantindo melhorias nas construções - muitas em ruínas. Situada na região metropolitana e distante a 33km de Maceió, tem aproximadamente 40 mil habitantes e foi  rebatizada  em 1939 para homenagear o primeiro presidente do Brasil. A edificação em estilo colonial onde nasceu e residiu  até os  6 anos o Marechal possui a fachada intacta, porém o imóvel sofreu diversas modificações e antes de ser restaurado e adaptado para servir de Museu composto de um acervo variado de utencílios e pertences pessoais.

Convento e Igreja de Santa Maria Madalena da Ordem de São Francisco

Também localizada na cidade de Marechal Deodoro, hoje serve de Museu de Arte Sacra do Estado. Sua construção inicia-se em 1635 onde existiu um recolhimento de frades franciscanos. A edificação durou mais de um século, e seu frontispício só foi concluído em 1793. Este templo apresenta características do barroco do século XVIII. D e1821 a 1839, quando da mudança da capital para Maceió, parte do convento serviu de quartel militar às tropas vindas de Maceió.






 Casa de Graciliano Ramos 
 
Localizada na cidade de Palmeira dos Índios, possui aproximadamente 70 mil habitantes e dista 136 km da capital alagoana. É conhecida por ter sido cidade de residência do escritor Graciliano Ramos, sendo este o terceiro prefeito. A casa virou museu  onde são guardados livros, documentos e trabalhos realizados pelo escritor. Escrito nesta casa, incluiu fatos do cotidiano da cidade no seu livro Caetés de 1933.




Serra da Barriga
Localizada na Zona da Mata alagoana na atual cidade de União dos Palmares, há 92 km de Maceió, nas margens do Rio Mundaú e divisa do município de Branquinha, acima do nível do mar mais de 500 metros, no então Planalto da Borborema, a Serra da Barriga antes chamada de Oiteiro da Barriga e Cerca Real dos Macacos, foi berço de liberdade de milhares de guerreiros quilombolas sublevados e determinados a viverem uma nova forma de vida, totalmente diferente da que queriam seus opressores, como povo escravizado e sem dignidade humana.
Habitaram primeiramente nos sítios e nas encostas da Serra da Barriga: A Princesa Banta – imbangala Aqualtune e seus filhos Ganga-Zumba, Ganga-Muiça, Ganga-Zona, bem como seu neto Andalaquituche irmão de Zumbi. Todos de descendência angolana da cultura Bantu dos jagas e imbangalas.

Fontes:
http://www.turismoalagoas.hpg.ig.com.br/tur-penedo.htm 
http://www.unisantos.br/pos/revistapatrimonio/painel.php?cod=1323 
http://www.ferias.tur.br/informacoes/114/marechal-deodoro-al.html
http://www.quilombodospalmares.org.br/index.php?sec=historia_serra_barriga

Especial Chuvas no Nordeste do Brasil - Parte I

Eventos climáticos provocaram as fortes chuvas na região nordestina

É triste saber das notícias e ver as fotos sobre o desastre na região Nordeste. As imagens são parecidas com o que vimos no Haiti, porém a cobertura jornalística frente a esse problema tão mais próximo de nós brasileiros é lamentável. A imprensa está mais preocupada em saber sobre a Copa do Mundo do que explicar a população e informar sobre os problemas que a população da região está passando. Isso pode ser comprovado equiparando o tempo na TV entre a cobertura da tragédia e os lances do futebol na África do Sul.

Fiz um Especial sobre o Haiti em janeiro e venho trazer aos meus leitores um Especial sobre os dois Estados Brasileiros mais afetados, Alagoas e Pernambuco. Do mesmo formato que em janeiro, não trarei aqui imagens sobre a tragédia: explanarei sobre o que ocorreu e colocarei a riquíssima variedade cultural existente na Zona da Mata Nordestina. Essa catástrofe natural já pode ser considerada segundos os especialistas a mais grave da história recente do país.

  • Afinal o que aconteceu? 
A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é um fenômeno causado pelo encontro de ventos do norte e sul e costuma agir na região da Linha do Equador. Normalmente, é comum a ZCIT descer para o Nordeste e retornar a Região Norte no verão e no outono, mas nem sempre isso de uma forma normal e acabou provocando as chuvas intensas no Nordeste Brasileiro desde o dia 17 de Junho.


A área hachurada na Figura acima indica a posição da ZCIT e do Sistema de Alta Pressão do Atlântico Norte (AAN). As setas indicam a intensificação dos ventos alísios do nordeste. Quando as águas do Atlântico Norte estão mais frias que o normal, o AAN e os ventos alísios do nordeste se intensificam. Se, neste mesmo período o Atlântico Sul estiver mais quente que o normal, o Sistema de Alta Pressão do Atlântico Sul e os ventos alísios do sudeste se enfraquecem. Este padrão favorece o deslocamento da ZCIT para posições mais ao sul da linha do Equador, e é propício à ocorrência de anos normais, chuvosos ou muito chuvosos para o setor nordeste do Brasil.

As chuvas foram reforçadas por eventos comuns na região: a Alta Bolívia (que transporta umidade da Amazônia para outros locais) e as Linhas de Instabilidade (nuvens formadas no litoral).
Por outro lado, a estiagem na Região Sul é consequência da formação antecipada de uma grande massa seca que se formou no interior do País. Por causa da ação dessa massa, outros sistemas frontais - como as frentes frias - não conseguem avançar para o continente e as chuvas ficam concentradas nos oceanos e chegam somente ao litoral.
As mortes no Nordeste, na sua grande maioria, não decorreram de deslizamentos,  como foi o caso de Santa Catarina e do Rio de Janeiro, mas de uma verdadeira massa de água que “varreu” a região, levando tudo que tinha pela frente.
Somente um volume de chuva extraordinário poderia provocar tamanha enxurrada. Em algumas áreas foram mais de 400 milímetros em tão-somente 72 horas. Observe  na figura  acima (Chuva estimada por satélite dos últimos dias) que o volume extremo de chuva foi muito localizado, o que ajuda a explicar a concentração severa de danos. A quantidade abundante de chuva somada ao fato dos rios de Alagoas serem afluentes dos de Pernambuco ampliou a tragédia no Estado de Alagoas.

  • Alagoas
Segundo o último levantamento da Defesa Civil de Alagoas, pelo menos 26.141 pessoas estão desabrigadas e precisam contar com o auxílio do Governo. O órgão procura ainda 607 desaparecidos, sendo que 500 são do município de União dos Palmares, um dos mais afetado pelos temporais.
As cidades que registram o maior número de desabrigados são: União dos Palmares (9 mil), Murici (5 mil), Rio Largo (2 mil) e Viçosa (1,2 mil). A situação é de caos em Alagoas e, além dos mortos, (num total de até agora 29) há ainda 800 pessoas feridas por conta de deslizamentos de terra e enchentes. 


  • Pernambuco 
 De acordo com a Defesa Civil de Pernambuco, pelo menos 49 cidades foram atingidas pelas chuvas, sendo que 13 decretaram estado de emergência, entre elas Cortês, Barra de Guabiraba, Palmares, Maraial e Vitória de Santo Antão. Há 17.719 pessoas desabrigadas e outras 24.331 estão desalojadas e morando temporariamente na casa de amigos e parentes. Ainda não há um número oficial de desaparecidos, mas já são 16 o número de óbitos.
  • Uma região histórica para a região e para o país 
 A Zona da Mata é a mais antiga região brasileira, onde foram desenvolvidas as atividades iniciais da colônia no século XVI. Abrange porções do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, numa faixa litorânea de até 200 km de largura.

O clima é tropical úmido, com chuvas mais freqüentes no outono e inverno. O solo é fértil e a vegetação natural é a mata atlântica, já praticamente extinta e substituída por lavouras de cana-de-açúcar desde o início da colonização (que hoje ocupa áreas do Rio Grande do Norte a Sergipe) e pela monocultura cacaueira (no sudeste da Bahia). A organização socioeconômica tem como características a forte concentração da renda e do poder na mão dos proprietários de terra (senhores de engenho, usineiros e fazendeiros). Desde o início da colonização, foi uma área de concentração populacional. O processo de modernização e industrialização, deflagrado pelo planejamento regional das últimas décadas, também contribuiu para ampliar a concentração demográfica.
Suas principais características são: 
  1. é a mais populosa área do Nordeste, onde se situam as importantes metrópoles como Salvador e Recife; 
  2. a agricultura é marcada pela monocultura, principalmente a da cana-de-açúcar, em grandes propriedades; a agroindústria do açúcar e do álcool associa-se a essa cultura; 
  3. o turismo é uma importante fonte de atividade; 
  4. o petróleo é o principal recurso mineral e ocorre principalmente no Recôncavo Baiano e em Sergipe; 
  5. as principais zonas industriais situam-se na Grande Salvador – incluindo o pólo industrial de Camaçari – e no Grande Recife.

Fórum Juvenil do Patrimônio Mundial



O Iphan, em parceria com a Federação Brasileira dos Albergues da Juventude, promoverá a edição regional do Fórum Juvenil do Patrimônio Cultural. Deverão participar jovens de 18 a 22 anos, de todo o Brasil e de outros 18 países da América do Sul, África e Ásia.

Do Brasil, serão selecionados 27 jovens, um de cada estado da federação, e mais 18 jovens dos países que comporão o Centro Regional de Formação em Gestão do Patrimônio Cultural, unidade de referência internacional reconhecido pela Unesco e em fase de implantação no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro e que reúne os países da América do Sul, países africanos de língua portuguesa e espanhola, Timor Leste, além de Portugal e Espanha.

Cada candidato deve inscrever um pequeno projeto de ação educativa em prol do Patrimônio Cultural. O projeto será avaliado por uma comissão composta pelo Iphan, Albergues da Juventude e outros parceiros da rede das Casas do Patrimônio do Iphan. Os autores dos projetos escolhidos participarão de uma vivência por alguns dos Patrimônios Mundiais brasileiros.

O Fórum Juvenil deverá abarcar estudantes, líderes comunitários, membros de associações vinculadas às localidades onde existem bens do patrimônio mundial e sócios da rede internacional de Albergues da Juventude. De 16 a 26 de julho, os jovens participarão de oficinas, eventos culturais, debates e roteiros de visitas a áreas relacionadas a quatro dos 17 bens brasileiros já declarados como Patrimônio Mundial, nas cidades de Foz do Iguaçu – PR, São Miguel das Missões – RS, Goiás – GO e Brasília – DF. 

O objetivo das atividades é promover a troca de experiências e apresentar ferramentas educativas centradas no envolvimento de comunidades, na construção coletiva de conhecimentos e na apropriação social sustentável dos bens que fazem parte do patrimônio cultural e são referências para a afirmação e valorização da diversidade e das identidades culturais.

As inscrições são on-line e estarão abertas até o dia 01 de julho! 
Acesse: http://www.patrimoniojovem.com.br/



Fórum Juvenil Ibero-Americano

Um mês antes do Fórum no Brasil, ocorre na Espanha outra iniciativa de educação patrimonial voltada ao público jovem. Está acontecendo desde o dia 20 e finaliza-se no dia 30 de junho, a segunda edição do Fórum Juvenil Ibero-Americano do Patrimônio Mundial dá sequência ao evento de mesmo nome realizado em 2009, em Sevilha, quando esta cidade recebeu a 33ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial.

Este ano o encontro será sediado em Aranjuez e terá a participação de estudantes de 12 a 15 anos da Espanha, Portugal e países ibero-americanos. Do Brasil, foram selecionados um adolescente do Ceará e outro do Rio de Janeiro. Além disso, acompanhará o evento a técnica em Educação Patrimonial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, Sônia Rampim Florêncio, que é a responsável pela organização do Fórum congênere a ser promovido no Brasil.


Os principais temas do Fórum de Aranjuez serão paisagem cultural e turismo sustentável. Além das atividades com os jovens, a expectativa é que o encontro sirva para estimular o aumento do intercâmbio de experiências sobre educação patrimonial entre os Ministérios da Cultura do Brasil e da Espanha. A partir da realização dos dois Fóruns Juvenis, projeta-se ainda a articulação de uma rede juvenil internacional capaz de trabalhar em conjunto com governos e outros agentes da sociedade civil em ações de preservação, promoção e sustentabilidade do Patrimônio Mundial.

Para saber mais informações sobre o Fórum Ibero-Americano, visite o site

Jogos, Donwloads sobre o Patrimônio Mundial e a Geografia
No site do Fórum Ibero-Americano existem vários jogos, para melhor conhecimento do patrimônio mundial não só para a juventude, mas para todos que tiverem mais interesse em conhecer a Geografia Mundial. Em espanhol.



Há também imagens belíssimas dos países participantes do Fórum. Faça o download e tenha em seu micro imagens como estas:






Acesse: http://www.patrimoniojoven.com/2doforojuvenil/home.php
Fonte: Coordenação de Educação Patrimonial; ASCOM.

Programa Petrobrás Cultural

Petrobras abre inscrições para 16 áreas de seleção pública na área de cultura.


Em 2003, nasce o Programa Petrobras Cultural (PPC), abordando a cultura brasileira em suas mais diversas manifestações e segmentos. Alinhado ao Planejamento Estratégico da Companhia e em sintonia com as políticas públicas para o setor, o PPC vem fundamentar a atuação da empresa em torno de uma política cultural de alcance social e de afirmação da identidade brasileira. Uma das principais modalidades de escolha de projetos do PPC é a Seleção Pública.

Embora os primeiros patrocínios culturais da Petrobras remontem à década de 1980, foi em 2001 que a empresa lançou sua primeira seleção pública de projetos em âmbito nacional, o Programa Petrobras Artes Visuais, seguido, em 2002, pelos programas Petrobras Cinema, Petrobras Artes Cênicas, e Petrobras Música.

Na Edição 2010 o Programa abre para três linhas de atuação: Preservação e Memória, Produção e Difusão e Formação, cada uma com diversas áreas. Essa é uma forma da Petrobras apostar de forma transparente e democrática na produção cultural do país.

Conheça mais sobre o programa no site www.petrobras.com.br/ppc.
Fonte: Petrobrás

10 anos de Cine BR em Movimento

O Projeto Cinema BR em Movimento foi criado com o objetivo de colaborar com a reversão dos indicadores negativos observados na área de distribuição e acesso da população brasileira aos seus bens audiovisuais. Apesar do notável amadurecimento técnico e estético e do expressivo crescimento de produções a partir de 1995 – a denominada Retomada do Cinema Brasileiro – os brasileiros, seja por questões geográficas ou econômicas, não têm tido acesso a essas obras.


Estatísticas demonstram que 92% dos municípios brasileiros não possuem sala de cinema. No ano de 2002, o circuito exibidor de cinema teve apenas 8% de suas telas ocupadas por produções nacionais. A absoluta maioria dos lançamentos comerciais só alcançam as áreas centrais dos grandes eixos urbanos do sudeste e do sul do país, contando ainda com poucos dias de permanência nas salas de cinema. Isto resulta na exclusão da maior parte da população brasileira do acesso aos seus bens artísticos, contribuindo ainda com a formação de uma sociedade balizada por imaginários contendo referências, valores e desejos exógenos.

O Cinema BR em Movimento, além de ser uma ferramenta de cidadania e inclusão social, democratizando o acesso à produção cinematográfica nacional, fomenta, através de seus Agentes Culturais espalhados por todo o território nacional, uma rede de parceiros que, de alguma forma apóia, ajuda ou incentiva o trabalho de campo dos Agentes. São parcerias importantes para o projeto que têm orgulho e prazer em participar. Selecione abaixo um estado da federação e conheça alguns de nossos parceiros.

Fui uma Agente Cultural representante do projeto nos anos de 2005 e 2006 na cidade de Presidente Prudente, onde pude junto com o apoio de colegas na época da faculdade exibir e dicutir sobre os filmes, trazendo a comunidade acadêmica e a comunidade local para um mesmo ambiente, sem divisões em prol do acesso à cultura. Foi a primeira vez que um projeto de cinema tão importante atingiu esta cidade média (200mil habitantes). Na época, um filme brasileiro no circuito comercial  ficava pouco tempo em cartaz nos únicos dois cinemas da cidade (não mudou muito de lá para cá... e em outras cidades também). Conseguimos alcançar sessões com um público de 60 a 90 pessoas, levando a análise de que o problema não é a qualidade dos filmes brasileiros, mas sim, a forma em que o capital atinge de uma forma tão cruel a aquisição dos direitos de cada individuo.




Notícias na Imprensa local sobre as sessões realizadas dentro do campus. Créditos das Imagens: Debora Nascimento e Alex Paulo de Araújo
Fonte: Cine BR

O bairro do Bom Retiro como Patrimônio Cultural

A Superintendência Regional do Iphan em São Paulo realiza desde 2004 reuniões públicas com os moradores do bairro Bom Retiro, na capital paulista, com o objetivo de avaliar os pontos do inventário cultural do local, que resultará na  proposta de registro da área como Patrimônio Cultural Imaterial do País.

Exemplo do que o Iphan chama de "multiculturalismo em situação urbana", o bairro é considerado um modelo de miscigenação e variedade étnica.

As pesquisas de referência culturais realizadas apontam "equipamentos, cerimônias, lugares e formas de ver e pensar o mundo", e descrevem atividades e costumes dos moradores do Bom Retiro.









Sinagoga Judaica - Colégio Santa Inês - Casa Búlgara











Faculdade de Tecnologia - Estação Pinacoteca - Loja de tecidos


Cerca de 230 itens foram levantados pelos técnicos - incluindo a feira boliviana da Kantuta, as procissões de Páscoa da Igreja Ortodoxa Grega e a Lembrança do Genocídio Armênio, todas realizadas nas ruas.
                                        

Barracas de produtos bolivianos na Feira Kantuta - Arcebispo D. Athanasio I da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Grega - Pedra inscrita na Catedral Armênia Católica    


Segundo a técnica do Iphan  responsável pelo projeto, Simone Toji,  o Bom Retiro, com a variedade que tem, é a síntese de São Paulo. “Para homenagear os imigrantes que lá se estabeleceram e dar visibilidade ao que há nele, decidimos iniciar os trabalhos para que o local seja declarado patrimônio imaterial", explica.

Uma vez conferido o título de Patrimônio Imaterial, o bem passa a ganhar mais visibilidade e a receber mais atenção das autoridades.

Ainda de acordo com a pesquisadora, a conservação física do local pode ser beneficiada e o turismo  impulsionado. O pedido de registro deve contemplar as ruas do bairro como patrimônio imaterial.

O projeto  foi bem recebido entre os representantes das várias nacionalidades residentes no Bom Retiro.

 








 



















Da esquerda, de cima para baixo:  Avenida Rio Branco - Fonte do Jardim da Luz - Jardim da Luz - Oficina Cultural Oswald de Andrade  - Quartel General da Polícia Militar - Praça Cel. Fernando Prestes
 

Origens da costura de povos

A presença dos imigrantes no local teve início com a instalação, em 1867, da Estrada de Ferro da São Paulo Railway (hoje Santos-Jundiaí). Após sua inauguração, depósitos e indústrias se instalaram na região, assim como a primeira Hospedaria dos Imigrantes.

Atraídos pela possibilidade de emprego, os imigrantes vieram para o bairro. No início do século 20, a colônia central era de italianos. Vindos principalmente da Rússia, Lituânia e Polônia, os judeus chegaram ao bairro a partir de 1920 e os sul-coreanos, na década de 1960.

Samba em um bar na Rua dos Italianos

Bistrô da Sara, reduto judaico na Rua da Graça

Restaurante Acrópole, típica comida grega na Rua da Graça

Mercado Coreano na Rua Três Rios

Hoje, o Bom Retiro é um bairro essencialmente comercial e tem cerca de 26 mil moradores. Segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas do bairro, existem 1.500 estabelecimentos na região, sendo 70% deles pertencentes a coreanos e 30% divididos entre italianos, gregos, armênios.

Alimentos Coreanos

  Lojas de venda e concertos de máquinas de costura

Lojas com diferentes vestimentas, para todos os gostos

Tecidos produzidos no Bairro do Bom Retiro


Fonte: Ascom - IPHAN

Seminário e Vídeo sobre o Bom Retiro

No dia 04 de Maio acontecerá o seminário "O Multiculturalismo do Bom Retiro e as políticas de patrimônio do IPHAN" a ser realizado na Oficina Cultural Oswald de Andrade na cidade de São Paulo (Metrô Tiradentes).

Participei da equipe que colaborou para a produção do documentário (que será lançado neste seminário), a partir de uma oficina organizada pela Oswald de Andrade.

A equipe era composta de moradores e trabalhadores do bairro, técnicos de som e imagem, pesquisadores da área de patrimônio e estudantes em formação, além de muita vontade e determinação em fazer do Bom Retiro o primeiro patrimônio imaterial do Estado de São Paulo.

A Superintendência Regional do IPHAN em São Paulo informa a conclusão de parte significativa de seus trabalhos desenvolvidos durante os anos no bairro. "As pesquisas e atividades foram possíveis a partir de parceiros e amigos que sempre estiveram envolvidos no trabalho para o reconhecimento do Multiculturalismo do Bom Retiro como Patrimônio Cultural Brasileiro", comenta a técnica do IPHAN responsável Simone Toji.




O Seminário irá apresentar os trabalhos já realizados pelo IPHAN e discutirá os próximos encaminhamentos do projeto junto aos grupos locais do bairro. Será realizado no período da manhã e tarde e à noite será a exibição do documentário “Bom Retiro de Mil Povos”, com o lançamento do CD-rom Inventário de Referências Culturais do Bom Retiro.

PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO “O MULTICULTURALISMO DO BOM RETIRO E AS POLÍTICAS DE PATRIMÔNIO DO IPHAN”

Manhã
10h30-12h30
Apresentação das ações do Inventário de Referências Culturais do Bom Retiro e considerações de especialista acadêmicos e outros convidados. (Convidado: Prof. Dr. Heitor Frúgoli Jr.)
Tarde
14h00-
17h00
Manifestação de representantes de grupos e instituições locais sobre as ações do Inventário de Referências Culturais do Bom Retiro e sobre a possibilidade de se realizar o pedido de reconhecimento do multiculturalismo do Bom Retiro como patrimônio cultural brasileiro, com produção de documento coletivo.
Noite
18h00
20h00
Coquetel, exibição do vídeo “Bom Retiro de Muitos Povos” e lançamento do CD-rom do Inventário de Referências Culturais do Bom Retiro.

Data: 04 de maio de 2010 (Terça-feira)
Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade, 363 – Bom Retiro